sábado, 7 de maio de 2011

Existem momentos tão especiais em nossas vidas que sem pensar dizemos e prometemos qualquer coisa.
Essa semana, chocou-me as imagens de uma mãe na enchente, prestes a dar a luz a seu filho, saindo num barco, fugindo das águas....
Fiquei imaginando o que se passaria naquele momento em sua cabeça. Quantas incertezas, quanta insegurança, quanto sofrimento.... Tenho certeza que naquele momento ela pensava mais em seu filho do que nela mesma.
Lembrei-me da promessa ingênua que fiz a um dos meus filhos um dia, num momento lindo entre nós. Eu amamentava numa cadeira de balanço e aqueles olhinhos fixos em mim pareciam dizer: "estou em suas mãos mãe, obrigado por este momento....".
Diante disso, tão naturalmente eu disse: "prometo que nada de mal vai te acontecer meu filho". Promessa inocente. Como alguém pode prometer isso? Desde que nascem eles se tornam filhos da vida, do mundo e de todas as inseguranças que cercam nossos destinos. Mas coração de mãe muitas vezes não pensa. Age por instinto, pelo instinto mais maravilhoso que pode haver no mundo: o instinto do amor.....E o amor...ah! o amor...quantas promessas são ditas em nome dele. Nada mais puro e ingênuo que o amor. Falo do amor verdadeiro, do amor que doa, que nada, absolutamente nada pede em troca, o amor que falta a esse mundo, o amor de mãe.....
Se todo mundo tivesse esse tipo de amor em seus corações, o mundo estaria muito melhor. Todos seriam mais solidários, menos egoístas e consequentemente mais felizes.
Pois mãe passa por cima das próprias dores, disfarçando-as para que seus filhos não sofram. Mãe acredita, ajuda, sofre junto, valoriza cada conquista, elogia, aconselha, estimula.... ah..se os corações do mundo fossem assim!!
A mãe que é capaz de não comer para que seus filhos comam, de passar a noite em claro esperando no sofá, de sofrer junto como se os corações fossem unos, de chorar de emoção a cada pequena conquista, de dar sermões por por mais de uma hora e arrepender-se morrendo de vontade de beijá-los, mas segurando o tranco por acreditar que suas palavras são eternos ensinamentos. A mãe que acha que os filhos nunca crescem e que liga várias vezes ao dia só pra sentir, pela sua voz, se está com algum problema. A mãe a quem recorremos quando as dores do corpo e da alma parecem insuportáveis e cuja presença parece bálsamo nessas dores...
Hoje faço essa mínima homenagem a essas mulheres que tudo suportam em nome do amor de mãe e penso especialmente naquelas que estão desabrigadas, sem ter o que comer e na agonia de querer proteger seus filhos e dar-lhes abrigo, comida, cama, roupas e cobertores e simplesmente não poderem. E por cada grito de desespero e lágrima de desesperança e sofrimento peço uma oração, um olhar, uma mão caridosa e a proteção daquele que pode mais do que nós, por que essa dor é uma das dores que jamais poderá ser descrita com palavras.
Hoje gostaria de desejar um "Feliz Dia das Mães" a todas as mães do mundo, mas aperta-me o coração saber que felicidade passa longe de tantas e tantas mães que sofrem pelos seus filhos e por elas mesmas.
Deixo então apenas essa mensagem, que saiu de repente, sem a menor pretensão de ser perfeita, mas vinda de um coração de mãe que ama como mãe e como filha e que entende como a máquina mãe funciona.
Taciana Valença
Maio 2011
 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

@@ FAZER O QUÊ?@@

Fazer o quê
se todas as bordas eram curvas
e o único jeito
de pegar a reta
era sair pela tangente?

(Taciana Valença)

@@ ÁVIDO @@

No ávido
Não mais habita o havido
Pois que com este
Já não há dívidas
Mornas memórias
D’um acontecido
Um havido evasivo....
Avidez sim...
Intempestiva e surda
Impávida
Êxtase maior
No que a si absurda!

(Taciana Valença)



segunda-feira, 11 de abril de 2011

@@ MINHAS ENTRELINHAS @@



não importam os mistérios
que rondam minhas entrelinhas...
são tão alma, tão fundas, tão minhas....
talvez a mistura que guardo
das intensas vidas que em mim passaram....
da cigana sem apegos
a andar descalça pelo mundo
da índia que amava a natureza
mas com um suave "quê" de tristeza
da força negra que herdo d'antes
dos tempos por onde andei
que nem mesmo me revelam
o que ainda serei...
portanto, não me leias pelas entrelinhas
pois nem mesmo eu sei
para onde meu mundo caminha....

(Taciana Valença)


##sentimentos plissados ##


Foram-se as golas
As gomas
Os engomados respeitados...
O carinho drapeado
O sem-jeito plissado
O lenço envergonhado
O sentido do puro
O sabor do pecado...

(Taciana Valença)

domingo, 10 de abril de 2011

## PRESSÁGIO ##

há um mundo
girando rápido
deixando marcas
movendo as águas...
tão tonto
tão solto
tão firme
tão louco...
há um tempo
seguindo um curso
na sóbria retidão
dos justos...
há um encontro
quem sabe marcado
com data e hora
um presságio....

(Taciana Valença)